Cuidar de quem cuida também é um compromisso com a defesa da vida. Na noite desta terça-feira, 27 de outubro, mais de 80 integrantes da Rede Um Grito pela Vida, de norte a sul do Brasil, participaram do encontro formativo on-line “A cultura do cuidado e cuidando de quem cuida”. O momento proporcionou aprofundamento, escuta mútua e partilha de experiências, com atenção especial à importância do cuidado pessoal e coletivo na missão de enfrentamento ao tráfico de pessoas.
A formação foi conduzida pela Irmã Patrícia Milanêz de Sena, psicóloga clínica, psicoterapeuta e religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.
A partir do Magistério do Papa Francisco, a assessora apresentou a Cultura do Cuidado como um compromisso coletivo e solidário com a proteção da dignidade humana, especialmente das pessoas mais vulneráveis, e com a preservação do planeta. “Eis o compromisso de vocês, enquanto Rede Um Grito pela Vida”, destacou.

A partir das reflexões de Francisco, Irmã Patrícia apresentou o cuidado como uma bússola para as relações humanas e sociais, capaz de orientar atitudes e decisões cotidianas. Nesse sentido, recordou o chamado para que todas as pessoas sejam artesãs da paz, por meio de uma verdadeira gramática do cuidado. Como exemplo, mencionou as recentes mobilizações populares no tempo eleitoral em defesa da democracia e da paz.
Cuidar de si para cuidar do outro
Um dos pontos centrais da formação foi a necessidade de reconhecer o autocuidado como parte indispensável da missão. Irmã Patrícia ressaltou que colocar-se em primeiro lugar, nesse contexto, não significa assumir uma postura egoísta, mas reconhecer os próprios limites e necessidades para exercer, de maneira saudável, o compromisso com o próximo.
Ao abordar os desafios enfrentados por quem atua diretamente na defesa dos direitos humanos e no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, a psicóloga alertou para os impactos emocionais dessa missão, como traumas, estresse crônico, hipervigilância e ansiedade. Também apresentou hábitos e práticas que contribuem para a saúde emocional, além de destacar a importância de buscar ajuda profissional especializada sempre que necessário.
A reflexão também encontrou fundamento na espiritualidade cristã. A partir do mandamento de Jesus de amar a Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo, a assessora destacou que o cuidado consigo é também uma exigência espiritual e teológica, inseparável do compromisso cristão com a vida.
Escuta, partilha e compromisso coletivo
O encontro reservou espaço para a partilha de experiências e inquietações das pessoas participantes. Relatos da missão, questionamentos e reflexões sobre pequenos gestos cotidianos de cuidado enriqueceram o diálogo e reafirmaram a importância da escuta, da compaixão e do apoio mútuo na caminhada da Rede.
Como gesto concreto, Irmã Patrícia conduziu uma técnica de relaxamento, convidando as pessoas presentes a vivenciar, na prática, a atenção ao próprio corpo e às emoções.
A iniciativa integra os compromissos assumidos pela Rede Um Grito pela Vida em sua última Assembleia Nacional Trienal, especialmente a terceira prioridade, que propõe “Cultivar a mística e a cultura do cuidado por meio da escuta, compaixão e corresponsabilidade”.
—
Por: Magnus Regis









